O caminhão de mudança parou em frente à sua nova casa.
A moça, que estava no carro logo atrás, permaneceu alguns segundos dentro do veículo, observando a rua antes de sair. Havia algo de curioso naquela vizinhança. Todas as casas pareciam ter sido construídas a partir do mesmo projeto, como se alguém tivesse decidido que não havia necessidade de dar personalidade a nenhuma delas.
Eram iguais na estrutura: dois andares, um pequeno jardim na frente e cercas baixas com um portão estreito. Eram iguais nas cores também. Todas tinham a mesma pintura cinza, sem nenhuma variação que quebrasse a monotonia.
O pouco verde que existia vinha das árvores e dos jardins, embora algumas plantas parecessem estar sobrevivendo por pura insistência. A grama estava seca em vários pontos, as folhas começavam a perder a cor e algumas flores já não passavam de pequenos galhos sem vida. Talvez aquela vegetação só recebesse água quando chovia.
Ela finalmente abriu a porta do carro e desceu. Parou diante da própria casa e a observou por alguns instantes. Teria um longo trabalho pela frente.





